O fio da faca [*]
[*] 2º Lugar no Concurso de Poesia Martinho Pereira – 2023 – Casa do Poeta de São Pedro do Sul.
Só! É a faca presa na bainha.
E um talho divide em duas...
As partes iguais da esfera.
O trio sangra... tridente na carne
A espera do corte preciso do aço.
E a graxa queima na brasa!
Quatro são luas no firmamento.
E os elementos no extremo sul.
Nos metais de luas e noites,
E na euforia de golpes fatais.
E o despertar... da faca na garganta.
Cinco são os dedos das mãos,
Calejadas nos talhos do tempo.
No cabo da faca e desenganos,
Ódio das adagas... paz dos anos,
Dos tauras veteranos de solidão.
Seis é sexta sem as amarras.
Seis os fios nos alambrados,
Que marca e encerra a fera.
A poeira maragata que estampa,
Que vibram e ferem patas,
Seis... a praga da besta-fera.
E na volta... arde o fio na garganta!
Sete são os pecados capitais,
Que expõem nossas agruras.
Varam ruídos e gritos fatais,
No desvão dos becos e das ruas.
O mando eterno dos coronéis,
Nas noites repletas de sombras,
No alvoroço das adagas em bordéis.
Oito é o infinito no horizonte,
Que traz mansidão e lonjuras:
– um canivete na espiral do fumo –
– um fogo de chão no meio do pampa –.
Oito é um sol que se vai,
E outro sol que se levanta.
Trilho de luz no longo do dia.
Uma “Solingen” enferrujada descansa.
Sem volta... não arde o fio na garanta.

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