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Mostrando postagens de julho, 2024

A pena que abraço

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Com a pena desfaço conceitos, Das palavras prontas e certas, Traço livre na voz que liberta, Verso preso dentro do peito. Clausura da mente que rejeito, Onde singra um sinal de agonia. Com a pena disserto utopias, Na amplidão do céu cintilante. Resistência reúne os andantes, Soma de sonhos e democracia.   A pena afeta o dito e o não dito, Destrói a censura e fios do aramado, A pena é um grito de punho cerrado, A alma lavada do oprimido. Um poema ainda a ser escrito. Provoca luz em noites infindas, A pena exalta as idas e vindas, ... e o silêncio num quarto fechado! O grito de horror no chão colorado, Descreve a noite que avança e finda.   A pena liberta os lábios da mordaça, E alivia as dores na cela que encerra, Ergue as bandeiras nas ruas da Terra, E descarrega o ódio de raça. Proclama a liberdade na praça! A pena abraça o sentimento profundo, E traz aconchego aos olhos imundos, E o sorriso singelo ao velho da esqui...

O fio da faca [*]

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[*] 2º Lugar no Concurso de Poesia Martinho Pereira – 2023 – Casa do Poeta de São Pedro do Sul.   Só! É a faca presa na bainha.   E um talho divide em duas... As partes iguais da esfera.   O trio sangra... tridente na carne A espera do corte preciso do aço. E a graxa queima na brasa!   Quatro são luas no firmamento. E os elementos no extremo sul. Nos metais de luas e noites, E na euforia de golpes fatais.   E o despertar... da faca na garganta.   Cinco são os dedos das mãos, Calejadas nos talhos do tempo. No cabo da faca e desenganos, Ódio das adagas... paz dos anos, Dos tauras veteranos de solidão.   Seis é sexta sem as amarras. Seis os fios nos alambrados, Que marca e encerra a fera. A poeira maragata que estampa, Que vibram e ferem patas, Seis... a praga da besta-fera.   E na volta... arde o fio na garganta!   Sete são os pecados capitais, Que expõem nossas agruras. Vara...